Nunca precisei de nada assim até agora
Nunca precisei de nada assim até agora
Texto original Inglês traduzido para Português
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Descrição
Nunca pensei que acabasse assim. Não assim.
Aos 22 anos, pensava que já teria a minha vida organizada. Pensava que teria um plano. Mas agora, com uma mochila cheia de roupa de que nem preciso e sem ter para onde ir, nem sei qual é o plano. Os meus pais expulsaram-me esta manhã, com palavras frias e definitivas, como uma porta a bater-se na minha cara.
«Sai daqui», disse o meu pai, com voz fria como pedra. «Já não és criança. Arranja-te.»
Não sabia o que dizer. Não sabia como reagir. Fiquei ali parada, entorpecida, enquanto eles me viam partir — como se estivessem a ver um estranho a afastar-se. Como se eu não importasse.
Pensei em ligar a alguém — a um dos meus velhos amigos, talvez — mas quem iria querer ajudar alguém como eu? Não mantive contacto com ninguém desde o liceu. Todos seguiram em frente, cresceram, resolveram as suas vidas. Mal consigo manter um emprego, quanto mais encontrar um sítio para ficar.
Tentei andar, pensando que talvez conseguisse encontrar uma maneira de sobreviver ao dia. O sol ainda está alto, mas já sinto como se estivesse a pôr-se sobre mim. As ruas estão vazias, as pessoas passam apressadas e sinto-me invisível. O meu estômago está a roncar, mas não tenho um cêntimo. Nem sequer trocos.
Pensei em voltar para casa, mas sei que não posso. Deixaram bem claro que não sou bem-vindo. E não sei o que é pior — ser expulso ou saber que nem sequer sinto falta.
Encontrei um banco no parque. Está frio agora, e o banco é mais duro do que pensava. Puxo os joelhos para o peito, tentando aquecer-me, mas nada funciona. A fome corrói-me, mas mais do que isso, é a solidão. Sinto-me como se estivesse a afundar-me, como se estivesse a desaparecer.
Fecho os olhos por um segundo, só para fugir disso. Mas não consigo. Não sei o que devo fazer agora. Para onde devo ir? Quem é que se vai importar?
A única coisa que sei com certeza é que não há volta a dar. Arruinei tudo. E agora, sou só eu e esta cidade vazia.